terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dica de leitura

"Artista como agenciador e produtor de eventos"

Noo arquivo em pdf, página 50, o Ricardo Basbaum fala do artista enquanto agenciador de eventos:
"o papel do artista como agenciador de eventos e fomentador de produções frente à dinâmica do circuito de arte. (...) Quer dizer, existem alguns artistas que não se isolam apenas enquanto produtores do seu próprio trabalho, enquanto criadores mergulhados somente em seu próprio universo poético e que também gastam o seu tempo ou melhor, transformam o tempo de produção também em dedicação à fomentação, à produção, aoagenciamento de outros eventos, envolvendo outros artistas, outros criadores.
lik
http://www.ceia.art.br/downloads/livroVisivel.pdf,

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ricardo Campos





Uma nova entrevista feita pelo artista visual Alexandre Lucas coletivo camaradas com artista Ricardo Campos
Poeta, contista, artista visual e acadêmico do Curso de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri – URCA, Ricardo tem como ingrediente para a sua produção estética e artística o cotidiano das pessoas que estão à margem da sociedade. Campos tem clareza que a arte não é dom, mas domínio.
Alexandre Lucas - Quem é Ricardo Campos?

Ricardo Campos - Sou um bom garoto (segundo minha mãe), além disso, sou estudante de artes visuais (URCA) e me dedico ao desenho e a criação literária. Tive 03 exposições individuais, 04 coletivas, participo freqüentemente de recitais poéticos, e tenho 2 publicações (contos) pelo Sesc e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Ricardo Campos - Muito cedo me interessei pelo desenho, ainda criança. Na adolescência descobri a poesia, mas a só aos poucos anos fui realmente começar a entender que aquelas idéias meio lunáticas que povoavam minha cabeça poderiam ser organizadas num trabalho realmente de cunho artístico. Descobri que a arte não era dom, mas domínio.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Ricardo Campos - Os quadrinhos, a pop arte, o bar de Ciço Pebinha, Rubem Grilo, Fernando Sabino, Ferreira Gular, Modigliane, A pedra do Vento, Roberto Carlos, Salvador Dali, Millor Fernades, The doors, o Tocha Humana, Henri Miller ...

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Ricardo Campos - A política esta em toda relação humana. Não se pode desassociá-la da arte, mesmo que o artista não tenha essa clareza das coisas, seu trabalho, sua cultura e ele mesmo, tem influencia das políticas praticadas na sua sociedade. Agora, o grande lance é como absorver e reinterpretar essa parada.

Alexandre Lucas - Como é essa história de pesquisar sobre a boêmia como matéria para a sua produção estética e artística ?
Ricardo Campos - Não se trata de pesquisar sobre a boêmia, na verdade eu observo seres humanos. personagens marginalizados e situações ordinárias.
Meu ultimo trabalho o “guardanapos” este sim, foi uma serie de desenhos em nanquim onde o foco era a noite boêmia na periferia.

Alexandre Lucas - Fale sobre seu trabalho visual?

Ricardo Campos - Sou um Desenhista de mim mesmo. Mas não desenho ou pinto o que gosto. Pelo contrario, algumas vezes reescrevo o que não gosto, ou o que não encontro ou o que a maioria das pessoas acredita que não vale à pena. Gosto de trazer a tona detalhes de coisas que normalmente não se dar conta.
Alexandre Lucas - Fale sobre o seu trabalho literário?

Ricardo Campos - Não há diferença no meu processo criativo (desenho, pintura, poesia ou conto).
Desde criança quando vejo uma imagem que me chamava atenção junto a ela automaticamente segue-se no pensamento uma frase ou uma citação de efeito. O exemplo mais recente disso é a minha ultima exposição individual (guardanapos) no Centro Cultural do Banco do Nordeste de Sousa PB. Que discute o mesmo universo e tem a mesma pegada poética do meu ultimo conto (A sombra do invisível) que foi recentemente publicado pelo SESC Crato. (um dos 10 selecionados da III Coletânea de Contos SESC)


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Ricardo Campos - Sempre tive o ser humano como protagonista no meu trabalho, principalmente os marginalizados.

Alexandre Lucas - Você acredita que a Academia elitiza a arte?

Ricardo Campos - A academia me elucidou muitas coisas que via de maneira totalmente leiga no campo da arte. Penso que ela é fundamental para qualquer caminho que se deseje seguir. Mas também vejo a academia (no que diz respeito à arte) como uma escolinha de futebol. Que ajuda o garoto na disciplina e no treinamento tático, mas que se não tomar o divido cuidado pode-se perder o gingado e a malandragem, engessando e castrando sua poética.

Alexandre Lucas - Qual a importância de se fazer uma arte para as camadas populares?

Ricardo Campos - Boa pergunta. Arte que atinge as camadas populares pra mim, é a que a academia e os próprios artistas “conceituais” chamam de artesanato. A maioria dos artistas “contemporâneos” que conheço elitiza a arte. Produzem para um grupo muito restrito da sociedade, e deram pra chamar a arte popular de ingênua (Naif). Mas na real, pra mim o que é mais importante não é fazer arte para o grupo A ou B, o fundamental é fazê-la legitimamente, torná-la verdadeira e honesta.

Alexandre Lucas - Como você enxerga os coletivos de artistas?

Ricardo Campos - Muito positivamente. E o que mais me alegra é a diversidade de interesses que muitos desses grupos revelam.
Alexandre Lucas - Você é um artista que busca novos suportes para o seu trabalho?
Ricardo Campos - Sim. Mas isso pra mim não é uma paranóia. Tenho medo de me transformar num charadista. Só vou Desenhar numa melancia quando puder defender o motivo desse feito com honestidade.

Alexandre Lucas - Qual a importância do Coletivo Camaradas?

Ricardo Campos - O coletivo Camarada é o coletivo mais atuante da região. Independente de ideologia, o que me deixa muito feliz é o trabalho feito nas comunidades carentes, com a facilitação de oficinas, trazendo jovens para experimentações artísticas. Construindo uma corrente de pessoas interessadas na arte e na solidariedade. Gostaria de ter mais tempo para reforçar essa corrente.

Postado por Alexandre Lucas
http://www.blogdoalexandrelucas.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Revista Tatui critica de arte


A Tatuí, revista de crítica de arte com versões online e impressa, surgiu, no Recife, em 2006, a partir do encontro de críticos de arte em formação. Seu primeiro número, em forma de fanzine, foi concebido durante o SPA das Artes (evento anual de artes visuais da cidade), sob a ideia de uma crítica de imersão, experimento de crítica de arte que pretendia não se vincular à concepção de distanciamento crítico.

Nos números seguintes da Tatuí, modificaram-se as intenções editoriais. Com outra configuração de equipe, a revista – mantendo seu caráter de independência, experimentalismo e pluralidade – tem proposto debates aos quais se agregam colaborações diversas cujos conteúdos alicerçam um observatório acerca da arte hoje produzida, em especial, no Brasil.

Com apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – FUNCULTURA, a versão online da Tatuí ganha autonomia diante dos números impressos, publicando quinzenalmente conteúdo inédito disponível também em inglês.
http://revistatatui.com/

domingo, 2 de janeiro de 2011

Reflexões para donwload: baixe nossas publicações!


O Conexão Artes Visuais 2010 foi marcado pelo lançamento de um grande número de publicações, que trouxeram ao público traços da história das artes visuais brasileiras, assim como consistentes reflexões sobre o panorama contemporâneo. Ao todo, foram 12 projetos destinados especificamente à edição de livros e revistas – sem contar com os catálogos produzidos por outros proponentes como registro de suas ações. Todas as publicações editadas e impressas com recursos do Conexão são distribuídas gratuitamente. Nas páginas individuais de cada projeto, você encontra uma lista das instituições que dispõem das edições e as oferecem para consulta.

Além disso, há uma série de proponentes que disponibilizaram suas publicações para download gratuito. Hoje, já podem ser baixadas as quatro edições da série Artistas Brasileiros – Monografias de Bolso (que apresenta estudos sobre Carlos Zilio, Hermelindo Fiaminghi, Emmanuel Nassar e Wanda Pimentel), o livro Espaços Independentes (um mapeamento de redutos independentes de produção de arte no país) e as revistas Tatuí (publicação de crítica que produziu seu décimo volume) e Investigação nº 11 (projeto estreante que prioriza um enfoque teórico, com tratamento sofisticado). A partir de janeiro, você também poderá ter acesso ao livro Arte Bra – Crítica Moacir dos Anjos.

Divirta-se com os links para os conteúdos editoriais produzidos através do Conexão Artes Visuais 2010. E divulgue os endereços para quem possa interessar! Afinal, o Conexão existe para estimular a produção, investir em conhecimento e difundir a reflexão crítica sobre a arte brasileira.

- Artistas Brasileiros – Monografias de Bolso
lik
http://www.macniteroi.com.br/index.php?op=publicacoes

Espaços Independentes Livro contemplado pelo edital Conexão Artes Visuais - MinC Funarte Petrobras

http://www.atelie397.com/

Uma das grandes questões da produção artística contemporânea é como manter um espaço de arte independente, isto é, um espaço que não esteja necessariamente ligado ao poder público ou a instituições privadas. A publicação Espaços Independentes chega para construir um panorama que permita ao leitor ver como cinco espaços geridos e administrados por artistas, críticos e curadores conseguem se manter no sistema de arte. O livro parte da documentação das atividades do Ateliê 397 (São Paulo – SP), do Arquipélago (Florianópolis – SC), do Branco do Olho (Recife – PE), do Atelier Subterrânea (Porto Alegre – RS) e do Barracão Maravilha (Rio de Janeiro – RJ).

A publicação dedica um capítulo a cada espaço, procurando investigar como eles funcionam, que tipo de atividades realizam, como se inserem na cidade, como se relacionam com os artistas e de que maneira pensam sua própria atuação. Tudo isso é ilustrado por uma documentação fotográfica dos espaços. E o capítulo final traz ainda um mapeamento dos diversos espaços independentes brasileiros, indicando seus endereços, sites, contatos e atividades. O livro foi lançado no dia 11 de novembro de 2010, no Ateliê 397. Na ocasião, houve um debate com representantes de espaços independentes que funcionam na cidade de São Paulo: Beco da Arte, Casa Tomada e Casa da Xiclet. A distribuição é gratuita.

Lançamento
Quando: 11/11 (20h30)
Onde: Ateliê 397 (Rua Wisard, 397, Vila Madalena, São Paulo – SP)
Retire seu exemplar gratuitamente.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Em imagens, a complexidade urbana



II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia propõe olhares sobre a cidade

“A técnica está sempre a serviço de uma ideia”, defende o fotógrafo Alexandre Sequeira. A afirmação, segundo ele, serve para conduzir o trabalho fotográfico, que exige compreensões poéticas e sensíveis acima de quaisquer conhecimentos tecnicistas. É claro que com o domínio técnico o fotógrago amplia suas possibilidades de expressões estéticas, mas Alexandre, que integra a comissão de seleção do II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, garante que o conceito também é parte primordial da fotografia. Ele e os professores e curadores Marisa Mokarzel e Tadeu Chiarelli ficarão atentos para a capacidade de reflexão dos trabalhos inscritos. A partir do dia 03 de janeiro, artistas do Brasil inteiro poderão inscrever trabalhos no concurso, que tem como tema “Crônicas Urbanas”.

O projeto pressupõe pensar sobre a cidade como elemento fundamental para a constituição da linguagem fotográfica. Os artistas selecionados serão avaliados quanto à diversidade do pensamento e da linguagem, no campo das imagens e histórias geradas e vividas nos espaços urbanos. “A fotografia é um elemento provocador, indutor da reflexão. O tema está ligado à crise das cidades, que buscam suas soluções para problemas do meio ambiente. As artes plásticas em geral são mais herméticas, mas a linguagem fotográfica é mais fácil para propor, pois é uma linguagem artística imbricada com a nossa vida, já que consumimos imagens”, explica Alexandre.

NOVIDADES

Para a segunda edição, algumas novidades foram estabelecidas, ressaltando o aperfeiçoamento do projeto. A primeira delas é a apresentação de Luiz Braga como artista convidado, com uma parte de sua pesquisa e produção fotográfica expostas em mostra particular, em harmonia com o tema do projeto. Pelo incontestável registro da urbanidade da cidade Belém, de maneira peculiar, desde os seus primeiros ensaios na década de 1970, Luiz Braga vai dialogar com a equipe de organização do projeto a fim de decidir, dentro de seu extenso trabalho, o que poderá compor a mostra. “Serão selecionadas de oito a dez fotografias, que vão ocupar uma das salas do museu, como parte da exposição dos trabalhos selecionados. A fotografia do Luiz tem uma atmosfera urbana de um ponto de vista inusitado”, explica Mariano, que destaca o mais recente trabalho do fotógrafo, “Verde-Noite, 11 Raios na Estrada Nova – Fotografia Night Vision”, no qual ele volta a fotografar a Estrada Nova, em Belém.

Além disso, será montada também uma exposição paralela, no Museu Casa das Onze Janelas, com fotografias dos repórteres fotográficos do jornal Diário do Pará. Mariano conta que a ideia foi lançada pela fotógrafa Irene Almeida, que também compõe a equipe de organização do projeto, e foi proposta justamente porque aqueles fotógrafos estão diretamente relacionados com a dinâmica da cidade, registrando-a diariamente. Agora, as fotografias de 14 profissionais sairão dos arquivos e acervos para o museu. “Eles possuem um trabalho que não é mostrado. Vamos aproximar esse universo, trazer o dia-a-dia da cidade para a fotografia contemporânea. É a maneira de chegar até esses arquivos”, explica o curador. É mais um espaço que abarca o Premio Diário Contemporâneo de Fotografia, que este ano terá mais um mês disponível para as visitações, o que vai viabilizar a ampliação das ações educativas. A exposição ocorre de 15 de março a 15 de maio do ano que vem.

LANÇAMENTO

Durante a solenidade de lançamento da segunda edição, ocorrida no último dia 16, alguns pontos fundamentais foram lembrados, como, por exemplo, o pioneirismo do prêmio, o primeiro no estado pensado exclusivamente para a linguagem fotográfica e seus desdobramentos. O diretor-presidente do Diário do Pará, Jader Barbalho Filho, disse que esse foi o motivo fundamental para a realização do projeto, que foi criado para valorizar ainda mais a já reconhecida importância da produção e reflexão acerca da fotografia desenvolvida ao longo dos últimos anos. “Nós idealizamos esse prêmio com a ideia de valorizar a fotografia. Faltava um prêmio exclusivamente para essa linguagem. Com isso, esperamos elevar o reconhecimento da fotografia paraense”, disse.

Ainda durante o lançamento, foi realizada a entrega simbólica da série “Lugares Imaginários”, de Octávio Cardoso, premiada na primeira edição do prrojeto, ao acervo do MUFPA.

A professora Jussara Derenji, diretora do MUFPA, afirmou que nesta segunda edição a parceria com o grupo RBA se consolida. “Esperamos continuar esta e outras parcerias. Queremos resgatar o papel de vanguarda que a Universidade possuía para as artes visuais na Amazônia, que se perdeu um pouco ao longo dos anos”, explicou.

Karla Melo, representante regional da Vale, patrocinadora do projeto, enfatizou a parceria com o grupo RBA e destacou o compromisso com a valorização e estímulo para a arte. “Nós comemoramos essa parceria. O prêmio está sendo realizado com paixão por vencer desafios e para valorizar a cultura local. Nesta segunda edição o projeto está ainda mais belo, com grandes artistas, que procuram olhar para a cidade com outra perspectiva”.

INSCRIÇÕES

O período de inscrição é de 03/01 a 05/02 de 2011. Para os trabalhos enviados por correio, a data limite para postagem será o dia 5/2/2011. Informações: 3224-0871 / 3242 – 8340.
Inscrições
O II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia destina-se à fotografia contemporânea em todas as suas possibilidades de linguagem, suporte e poética. O objetivo é contribuir na ampliação do espaço para a produção fotográfica nacional consolidando o Pará como lugar de reflexão e criação das artes da imagem, logo, o projeto contempla todo o território nacional, sendo voltado aos artistas brasileiros ou estrangeiros residentes no país.

O período de inscrição é de 3/1 a 5/2 de 2011. Para os trabalhos enviados por correio, a data limite para postagem será o dia 5/2/2011. Os portfólios e dossiês para seleção, assim como os trabalhos selecionados deverão ser enviados para o Museu da Universidade Federal do Pará, aos cuidados do II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia – Coordenação de Produção, Av. Governador José Malcher, 1192, Belém – PA Bairro de Nazaré, CEP 66055-260. Informações poderão obtidas no telefones. (91) 3224-0871 / 3242 – 8340 ou pelo e-mail contato@diariocontemporaneo.com.br http://www.diariocontemporaneo.com.br/

Catalogo da edição 2010 prêmio Diário de Fotografia em PDF
http://www.diariocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/12/catalogoPremio2010.pdf

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nívia Uchôa - O cotidiano como uma poética de luz








Uma série de entrevistas com artistas, produtores e gestores culturais serão realizadas pelo Coletivo Camaradas e disponibilizada para blogs e sites. A série entrevistará nomes como Jorge Mautner, Oswlad Barroso, Vitória Regia Turin, Lula Gonzaga, Hamurabi Batista, Augusto Bitú, Norma Paula, Alexandre Santini, Marlon Torres. A série inicia entrevistando Nívia Uchôa.
Nívia Uchôa tem um trabalho que vem sendo reconhecido nacionalmente, com uma poética própria e cheia de luz, a artista consegue a partir cotidiano das camadas populares criar poesias visuais com a sua fotografia. Natural de Aracati, mas desde a infância reside no Cariri do Ceará.

Alexandre Lucas - Quem é Nívia Uchôa?

Nívia Uchôa - Fotógrafa há 16 anos, com pesquisa etnográfica e antropológica na Região do Cariri, Ceará e no Brasil com uma documentação sobre relação do ser humano com água com projeto Água Pra que te quero! Formação acadêmica Geografia e atualmente sou professora substituta de Fotografia e Cinema da Universidade Regional do Cariri URCA na Escola de Artes Violeta Arraes. Fundadora do grupo de fotografia POESIA DA LUZ

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Nívia Uchôa - Quando iniciei minha carreira em 1994, meu trabalho já veio carimbado com um olhar artístico, pois minha estética já se consolidava com uma busca pelo meu olhar autoral, pelo meu traço.

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Nívia Uchôa - História da Fotografia , na fotografia Contemporânea, cinema e pintura e a teoria quântica, mas, tenho influencias da fotografia do Cartier Bresson, Sebastião Salgado, Tina Modotti, Celso Oliveira, Tiago Santana, João Roberto Ripper, Cristiano Mascaro, Maureen Brisilliat, Frederico Fellini, Akira Kurosawa, Michelangelo Antoinioni, Glauber Rocha, aqui no Cariri, tenho influencias da profusão artística, do artesanato, da cultura da tradição oral, da pintura do Luis Karimai, do fotografo Gilberto Morimitsu e da influencia do cotidiano desses lugares cheios de identidade e polissêmicos.

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Nívia Uchôa - Penso que ainda falta mais esforço para que ambas dialoguem com mais freqüência, o artista não pode ficar distante da política e ou vice versa, a política ainda é vista como clientelista, ou melhor, ela ainda é clientelista, dai dificulta fazer a arte e política andarem mais próximas, pelo menos eu não me utilizo dela para minha arte. Mais em nível universal várias vertentes políticas pensam a arte.



Alexandre Lucas - O que representa a fotografia na sua vida?

Nívia Uchôa - Luz, sobretudo vida, não viveria longe da fotografia, da luz que a faz ser. Não seria Nívia Uchôa se não fosse à fotografia, não conduziria meu caminho com tranqüilidade se não fosse a fotografia. Fotografia é o alimento da minha alma.
Alexandre Lucas - Você tem um trabalho de militância política na área da cultura. Isso reflete na sua produção estética e artística?

Nívia Uchôa - Minha militância é mais pelo trabalho e a produção de uma coletividade no mundo da arte, pois penso que sem esse olhar mais coletivo, seremos seres cada vez mais individualistas, a arte é como a água tem para todos e todas, se essa fonte secar sofreremos com isso, quanto a saber se isso reflete em minha produção estética e artística, nunca parei para pensar sobre isso, pois por mais que falo em coletivo, ainda tenho um trabalho solitário, as pessoas não gostam de trabalhar juntas, elas acham que vamos roubar suas idéias e seus ideais, mas, como tenho um traço próprio, não tenho medo de que me roubem, pois não tem como roubar a luz que vejo, a luz que recorto da realidade, essa que nos segue e persegue em um piscar de olhos.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Nívia Uchôa - Bom, fiz vários trabalhos, mas, citarei aqui os que me deram prazer em realiza-los. Fotografar Juazeiro do Norte-Ce esse faço naturalmente em meu cotidiano, em 1997 fiz um trabalho com um amigo Antonio Vargas, fomos fotografar a rampa de lixo de Jangurussu em Fortaleza-CE, trabalho esse que me emocionou profundamente pela forma que essas pessoas viviam literalmente no lixo, esse trabalho foi exposto na UFC, Grenoble, Paris, Bruxelas, Lion. Em 2000 fiz uma exposição que a Dodora Guimães curadora da exposição, intitulou de Gentes do Cariri, foi com esse trabalho que fiquei conhecida no Ceará, o qual pude expor no Palácio da Abolição no Centro de Artes Visuais Raimundo Cela em Fortaleza, em 2005, 2006 e 2007 fiz um trabalho para a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará sob a gestão da Cláudia Leitão e pude viajar o Ceará quase todo, isso me rendeu algumas publicações entre elas Memória do Caminho do Oswald Barroso e o Guia Turístico Cultural do Estado. Iniciei minha trajetoria no audiovisual e cinema realizando alguns curtas como Adeus meu bem, Catadores de Piqui, Quarta Parede, Quero viver igual a um beija-flor. Em 2010 participei de uma coletiva de 30 anos de Fotografia da Curadora Rosely Nakagawa nos Centros Culturais Caixa Economica Brasilia, São Paulo, Salvador e Curitiba, na ocasião tive a oportunidade de esta ao lado dos grandes fotografos brasileiros Cristiano Mascaro, Thomaz Farkas, Mário Cravo Neto, Pedro Karp Vasquez, Luiz Braga, Celso Oliveira, Tiago Santana, Guy Veloso, entre outros famosos no universo da fotografia brasileira e finalmente um trabalho que me consolido através da antropologia visual, meu mais novo trabalho intitulado Água pra que te quero! Esse esta em fase de conclusão e conto a história de 3 bacias hidrográficas do estado do Ceará através da imagem e de uma pesquisa que fiz com uma equipe em 2 anos. Esse trabalho será lançado em março e constará de um livro e um vídeo onde conto a relação do ser humano com água. E por fim faço parte atualmente da Rede de Produtores de Fotografia no Brasil o qual realiza várias atividades no campo da produção da fotografia brasileira como realizadores, agitadores culturais e comunicadores.

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?
Nívia Uchôa - Penso que a fotografia está além de tudo a serviço do social, devemos mostrar nosso universo de cotidiano através das imagens, sobretudo quando devemos e podemos relatar a arte através dele. A imagem fotográfica DIZ e com isso ela pode denunciar, conduzir, salvar, ela nos faz acreditar ser ela própria sem nada esconder, a fotografia esta além do que se pode imaginar, ela diz por si só.

Alexandre Lucas - Você acredita que a Academia elitiza a arte?

Nívia Uchôa - Bem, penso que arte se auto-elitiza, a academia ensina arte como está nos livros, à arte esta desde seu inicio, desde quando o ser humano pode se comunicar, arte pela academia é conceito.

Alexandre Lucas - Quando a arte humaniza?

Nívia Uchôa - Quando ela sai da individualidade e mostra seu lado coletivo, quando ela não cai no amadorismo, mas, quando ela busca saber, propor, dizer para que ela veio, sair dos conceitos e ir para prática.

Alexandre Lucas - Como você enxerga os coletivos de artistas?

Nívia Uchôa - Penso que ainda estamos muito atrasados aqui no Cariri, mas nacionalmente e mundialmente temos vários coletivos. A idéia de se coletivizar é bem interessante, pois precisamos do olhar dos outros para produzirmos e assim saber quem somo nós.

Alexandre Lucas - Como você ver atuação do Coletivo Camaradas e qual a sua relação com esse grupo?

Nívia Uchôa - Vejo com uma força grande, mudou muito aqui em nossa região, o Coletivo Camaradas pensa a arte e a política, pensa os trabalhos a partir de um todo. Minha relação com o Coletivo ainda não é de uma total militância por conta da minha agenda que tem sido intensa, mas, quero e posso me dedicar muito mais.
Postado por Alexandre Lucas às 11:13

Fonte
http://blogdoalexandrelucas.blogspot.com/2010/12/nivia-uchoa-o-cotidiano-como-uma.html
blog Nivia Uchoa
http://poesiadaluz.blogspot.com/